Concretizando Arte Abstrata





Quando voltei da licença prêmio em 2016, peguei o calendário de reposição e comecei a pensar em aula diferenciada para os alunos do 9º ano da E.E. João Catarino de Souza. Verifiquei que Arte Abstrata não havia sido trabalhada por questão da greve. Preparei as seis aulas a repor em três encontros, totalizando 6 horas. Conversei com a coordenadora, sobre a possibilidade da aquisição do material a ser usado nas aulas. Fui prontamente atendida e foram gastos a quantia de R$168,50 para compra de 2 metros de tecido (algodão cru), pincéis, tintas para tecido nas cores primárias, preta e branca.
 Nas duas primeiras aulas informei aos alunos sobre o planejamento, a execução das aulas e que a destinação do produto final seria ornamentar a Sala de Arte no ano letivo de 2017. Em seguida fizemos leitura do texto “Abstracionismo”, atividades de interpretação do texto e apreciação de obras dos principais artistas, principalmente as Wassily Kandinsky, considerado o pai da Arte Abstrata. Durante leitura do texto, salientei várias vezes sobre as principais vanguardas da Arte Abstrata, os principais artistas e como reconhecer os traços destas vanguardas em obras pictóricas de artistas conhecidos ou desconhecidos.
No segundo encontro, mais duas aulas, convidei a professora Judite Malaquias – professora aposentada, pintora e também a primeira diretora desta escola – para que instruísse os alunos sobre as técnicas de pintura, no momento prático destas aulas, visto que, minha habilitação em Educação Artística é Música. Nesta fase os alunos já reconheciam o Abstracionismo e suas principais vanguardas. Diante disto, escolheram Abstracionismo Geométrico Suprematista, cujos elementos principais são: retângulo, círculo, triângulo e a cruz; e Abstracionismo Geométrico Suprematista, o qual utiliza as cores puras (Vermelho, Azul e Amarelo) e as linhas (horizontais, verticais, curvas, quebradas, etc.).
A professora Judite pediu aos alunos afixassem o tecido sobre a mesa, fizessem o esboço da pintura em uma folha de papel A4, para que depois passassem para o tecido.  Cada um dos alunos fizeram esboços nos papéis, sem seguida separamos a turma em grupos de 4 pessoas e em grupos escolheram os que eles acharam mais interessantes e passaram para o tecido. Iniciaram a pintura e eu, juntamente com a professora Judite, passávamos dando instruções quando éramos solicitadas.
Na 5ª e 6ª aulas, continuamos a pintura sob minha orientação. Neste encontro, o 9º ano B junto com o 9ºC assumiu a conclusão das telas e deram início a outras. Neste dia ficamos quase duas horas a mais das nossas aulas previstas e fiquei admirada pela persistência de alguns deles em ficarem fazendo o trabalho, sem pedir para sair da sala ou para irem embora.

 

         

  
  Os alunos do 9º ano B e C finalizando as telas

Já em período de férias, para concluir as composições dos alunos, a professora Judite fez os retoques finais (contornos e correção de alguns borrões involuntários durante a execução dos alunos) para que as telas fossem emolduradas.


 

Uma das telas retocadas pela professora Judite

As pinturas foram levadas para uma vidraçaria para colocação de molduras.  Porém para que ficassem mais barato, fizemos as telas em formato de painéis. Para pagamento destes trabalhos pedi a alguns colegas da escola (diretora, professores e pessoal da secretaria) e ao dono da vidraçaria a doação pagamento de uma tela ou mais, se possível, para que a escola não tivesse mais gastos.

Fundo da tela depois trabalho da vidraçaria

As doações para pagamento da vidraçaria foram feitas e os quadros já estão na escola, aguardando uma pintura na Sala de Arte, para que os quadros sejam colocados na parede. 

Telas finalizadas

Reflexão
Eu acredito que a leitura e a escrita é a base de nossa formação humana e cultural, por esta razão, em minhas aulas eu sempre priorizo a leitura e incentivo meus alunos a buscar responder os questionamentos, elaborar suas criações artísticas por meio da leitura. Jamais um aluno meu faz uma produção (pintura, desenho, dança, música ou outra) sem antes fazer uma leitura sobre a definição, a história, as técnicas, os criadores, a utilidade social e outras informações. Pois considero importante o diz Ana Mae


A educação deveria prestar atenção ao discurso visual. Ensinar a gramática visual e sua sintaxe através da arte e tornar as crianças conscientes da produção humana de alta qualidade é uma forma de prepará-las para compreender e avaliar todo tipo de imagem, conscientizando-as de que estão aprendendo com estas imagens. (BARBOSA, 1998, p. 17).

Gosto de propor o fazer, não só por fazer, mas de fazer um fazer consciente, que marque o viver do fazedor. Ou seja, desenhar para mim não pode ser apenas um ato de rabiscar algo sem importância, descartável, mas um ato de rabiscar uma forma que traga informações, que instigue o aluno a fazer perguntas e ele próprio a buscar respostas para suas perguntas e que estas respostas estejam explicitas em seus rabiscos, em seus desenhos.
Geralmente ao término destas leituras, quando solicitados a fazer suas próprias produções, posso perceber ou avaliar qual o grau de facilidade que o aluno tem em compreender o que lê. Por exemplo, durante este trabalho alguns fizeram as perguntas: “Como vou fazer este desenho?”; “Com que cor eu pinto?”; “Professora, faz um para eu copiar.” Já outros, após leitura do texto escolheram uma das vanguardas, seguiram as regras e produziram muito rapidamente. E um terceiro grupo uniu as regras de várias vanguardas, criando uma bem diferente e pessoal. Observei também que alguns alunos precisaram reler o texto várias vezes, outros me chamaram para explicar o texto novamente.
A maior dificuldade encontrada foi não ter um ambiente próprio para trabalho com pinturas, pois precisávamos de água para lavar pincéis, local para colocar os tecidos para secar e outros pormenores. Mas, mesmo diante de grandes dificuldades, as aulas foram proveitosas e os alunos se envolveram com muita responsabilidade na execução do trabalho proposto.
Avaliando minhas práticas, percebo que as aulas que proponho em forma de pequenos projetos são mais proveitosas, pois há uma sequência didática, onde a proposta final é uma produção concreta que possa ser utilizada na vida pessoal e cotidiana do aluno. Sempre conscientizo-os, que nosso fazer prático em sala de aula precisa trazer informações para construção de nosso conhecimento e nossa formação.

Referencias 
BARBOSA, Ana Mae. Tópicos Utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.





Por Eva Aparecida da Silva, licenciada em Educação Artística Habilitação em Música UFMT/1998, Especialista em Metodologias do Ensino de Artes pelo IBPEX/ICE/2004 e Mestre em Estudos de Linguagem UFMT/2008, Professora de Arte SEDUC/MT desde fev./2000.

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